sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Futuro

Quando isso começou, eu tinha 17 anos, estava sentada na frente do notebook que ganhei no meu aniversário de 15 e me alimentava de uma porção de macarrão que não devia passar de quatro garfadas ao todo. Eu era obcecada pela magreza, pelo meu tumblr aesthetic, se meu braço acordou mais fino e minha ruga no meio da testa, mais suave. Eu planejava noite e dia, vivia com a cabeça tão no futuro que sequer conseguia processar o presente. Hoje, passo todos os dias no passado, ainda que parcialmente - tentando processar e dar sentido ao que vivi, entender causa e consequência, reviver memórias que, na hora, outra coisa pareciam.

hoje eu peso uns 10 quilos a mais, meu braço definitivamente não está mais magro, nem minha ruga mais fina - mas trabalhei o suficiente para bancar o botox e tenho alguém que me ama tanto como eu sou que as vezes faz parecer que o peso do meu corpo só existe no plano mental (mas só as vezes).

hoje eu tenho e vivo coisas que minha mente enfuturada jamais concebeu, jamais ousou desejar - tudo parecia longe demais quando meu maior sonho era sobreviver fora dali, daquele sistema anaeróbio e, por incrível que pareça, constantemente ressecado.

contemplo voltar, em todos os sentidos que voltar possa ter na minha vida. Voltar pra casa, voltar pra Danielly de 17 anos, voltar a escrever aqui. Mas aprendi que o querer é provavelmente a coisa mais passageira que poderemos sentir, então eu espero passar, torcendo pra passar.

hoje não esperei. estou tentando não pensar nas próximas.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

plath e eu

 ok, eu digo isso há pelo menos uns 4 anos, mas eu preciso me esforçar  voltar a escrever aqui. e não porque isso faça alguma diferença em mim ou no mundo, não é como se fossem profundas escritas jurídicas ou feministas ou algo assim, são só uns pensamentos aleatórios que as vezes penso que se não colocar em algum lugar vou acabar perdendo o insight da coisa.


minha psicóloga sempre começa nossas sessões perguntando "então, querida, como você está?" e é incrível como a pergunta mais banal, nesse pequeno momento da semana, perde completamente o sentido para mim. como eu estou? "eu não faço a mínima ideia", é geralmente como eu respondo. naquele momento específico é como se todos os conceitos e padrões sociais do "tudo bem?" fossem esquecidos, como se essa simples pergunta fossem uma frase mágica que abrisse meus sentidos e descascasse minha capa auto protetora - nesse momento, eu estou exposta, vulnerável, frágil. e ai que eu simplesmente, realmente, não sei dizer como eu estou.


retroagindo a minha vida eu me vejo como uma desorganização de sentimentos no qual é impossível saber exatamente o que eu estou sentido. hoje, tentanto me esforçar para entender, diria que estou triste - mas a tristeza, comigo, é sempre diferente. eu não fico triste, eu sou sugada por um buraco negro que parece viver no meu estômago e que me leva, em segundos, para um local de ausência completa. é como se a epitome de qualquer tristeza me levasse automaticamente para o polo oposto das sensações, sendo teletransportada para um não-existir, não-sentir, não-viver, onde tudo é cinza, frio, e minha vivência calculista, observadora, analítica.


nesses momentos, que pareço desentir tudo exatamente para não morrer por sentir demais, viro um observador da vida humana, um alien estudante do comportamento alheio, que já não vê sentido nas coisas mas estuda os  mínimos movimentos da vida para, na hora do show, conseguir performar a normalidade que tanto esperam. no fim, nesses momentos em que o não-sentir é soberano, lembro da sylvia plath e porque me senti tão ligada a história dela. é porque, pra mim, a sylvia passou 33 anos não-vivendo, observando, performando humanidade, enquanto por dentro ela era tão alien quanto eu. existem mais de nós? que olhamos para fora sem entender, sem existir? 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

só Deus sabe

pela primeira vez em 10 anos, estou indo à igreja voluntariamente. tenho tido esse desejo há meses. nem sei se a igreja estará aberta, se terá missa. mas irei. tentarei, ao menos. eu preciso disso.


já tem alguns meses que eu me sinto atraída para a igreja católica, como nunca me senti. cabe lembrar aqui, que não possui a memória do meu corpo físico, que eu frequentei a igreja católica por toda minha infância, até o início da minha adolescência. parei de frequentar pela rebeldia própria da idade - passei a achar as ideias arcaicas, as pessoas hipócritas e o ambiente e valores propagados muito diferentes do que Deus, em tese, deveria pregar - amor com restrição; bondade limitada; por quê?


eu sabia que esse ano minha vida ia ser complicada. na minha cabeça, o óbvio: oab, monografia, faculdade, efetivação. não imaginei que mudaria de apartamento, moraria sozinha, me decepcionaria com o meu trabalho que, até então, era a  melhor parte da  minha vida, cortaria relações com amigos próximos e estaria, apenas em agosto, na segunda internação do meu pai.


e então, fui à igreja. chorei muito pensando no meu pai e  nas coisas que não quero que ele sinta, mas não me senti acuada como me senti na missa de sétimo dia da minha avó. só de  lembrar como me senti naquele dia já fico mexida - igreja católica e religião, de  forma geral, sempre representaram pra  mim o que senti intensamente na missa da minha avó: hipocrisia, superficialidade e mentira. pessoas que não deram valor  a  minha avó em vida, chorando sua morte. pessoas que não foram presentes, não deram amor, uma  palavra amiga, se fazendo das grandes vítimas da morte da minha avó. do que adianta chorar quando é tarde demais para mudar?


por consequência, sempre achei que se fosse novamente à igreja, esse seria o mesmo sentimento. não foi. eu me senti aliviada e diria, talvez, que acolhida. não de uma forma cinematográfica em que a mocinha, ao encontrar novamente sua espiritualidade, chora copiosamente pelo alívio de pertencer. mas de não sentir que o ambiente externava o pior das pessoas e que ali eu poderia encontrar refúgio para as minhas aflições.


não sei se e quando volto, ainda nem processei toda a experiência. tentei conversar com Deus - lá, aqui, mas não sai nada muito católico. perdi o hábito. não espero que alguém ouça minhas súplicas com o intuito de diminuí-las há muitos anos. falo com o externo como se fosse um amigo imaginário muito do sarcástico que ama ouvir minhas piadas sobre a  minha vida.


mas agradeço por ter ido. só espero que, dessa vez, ao menos, seja ouvida. de tudo que poderia pedir e que também são desejos justos, só peço, aqui como pedi lá, que meu pai não sofra. acima de tudo. e que se eu puder ser egoísta, que ele fique, ainda por muito tempo. pois ele é o amor da minha vida e eu não quero respirar sem ele.

domingo, 27 de setembro de 2020

 parece uma outra vida desde que consumava escrever nesse blog.


já me debrucei nas palavras dos  últimos posts explicando o propósito desse espaço. não tem muito, pra ser honesta. eu gosto de escrever porque dá ordem à confusão que minha cabeça é.


mudei de psicóloga nesse último mês e ainda não decidi se gosto dela. mas, acima disso, não consigo lembrar quais são minhas reclamações: então vim aqui pra isso.


  • meu estado de humor muda muito. já fui diagnosticada com transtorno de bipolaridade, porque em um instante eu estou extremamente irritadiça e no outro quero abraçar o mundo.
  • acima disso, eu sempre achei que um diagnóstico e um medicamente ajudariam a resolver a eterna falta de ânimo que eu tenho. é como se eu só conseguisse fazer as coisas quando há enorme motivação para aquilo e eu nunca nunca nunca tivesse tido dsciplina. sou preguiçosa, indisciplinada? 
    • minha psiquiatra me receitou ritalina na última vez que fui no psiquiatra. ajudou, confesso, mas ajudou a prática dos atos, não meu estado de ânimo - que continua o mesmo.
    • deveria estar tomando medicamento? será que meu problema não é falta de autoestima bizarra que eu tenho que de alguma forma gerou tudo isso? será que eu não tenho diagnóstico nenhum, doença nenhuma?
  • estou pensando em não voltar na psiquiatra enquanto não resolver isso na terapia. ou o contrário, ir na psiquiatra primeiro para depois entender como levar a terapia. minha psicóloga me irrita um pouco.

eu estou cansada, chorona e perdida. e o pior, minha vida não está ruim, mesmo! lembra quando disse que queria um estágio e responsabilidades maiores? pois ganhei, do nada. maior escritório de advocacia do brasil. minha faculdade voltou. pressão para ser melhor, boa, efetivada.

eu só queria não ser essa pilha mental que pensa em tudo e em todas as possibilidades e fica paralisada e não faz nada e não se  move e fica aqui, deitada, sem banho, por dias seguidos.

o que é que eu faço agora? 

quarta-feira, 25 de março de 2020

pandemia

em tempos de coronavirus (e eu vou querer escrever isso agora pelo momento histórico que estou inserida), é muit dificil controlar a saúde mental. agora são 4h da manhã, acordei há 1h, e já mandei uma mensagem muito imortante pra veronica, com quem não tenho conversado há séculos. hoje, na sessão com a minha psicologa, ela disse que ignorar o que a gente quer por achar que a outra pessoa não merece não é gesto de amor próprio - isso porque eu comentei que queria perguntar ao meu ex se está tudo bem com ele, o que não vou fazer, obviamente.
amo a marcella, mas nem tudo eu estou pronta pra por em prática. a rejeição, a decepção, a angústia.
e o mais engraçado é que parece que - eu não sei o que parece.
eu vivo nessa constante memoria criada de que ele em algum sentido é aquilo que a gente convencionou em chamar de amor da minha vida. e nunca, desde então, consegui me apaixonar por mais ninguém.
eu já não me pego mais repensando cada detalhe nosso tentando entender quais atos dessa peça cômica fizeram ele entender que eu não era pra ele - graças a deus a terapia fez seu serviço. não vale o auto ódio.
mas ainda me perguntou se tem algo que eu possa fazer, agora, pra que dê certo hoje. porque, no final, ele sempre é minha escolha. pensamento que também queria entender.

**

meu horoscopo disse que, nesse ano, eu tenho que confiar mais na minha intuição e me dedicar ao trabalho. minha intuição diz que a gente não acabou. mas eu posso esperar pra sempre alguém que talvez nunca esteja pronto pra mim, como eu mereço?

sábado, 7 de dezembro de 2019

tchau, 2019

em 2019 eu fiz 7 anos desse blog.

eu lembro quando o criei, em 2013, meu último ano do ensino médio - imaginava o quão legal seria poder dizer que tinha o blog há um, dois anos - hoje, eu o tenho há sete.

ele me acompanhou por muitas fases da minha vida:

  • 2013 - terceiro ano do ensino médio, tentando ser anoréxica?, querendo passar para direito na UERJ (um sonho que parecia impossível), flertando com um professor de biologia e sofrendo um bullying (até que tranquilo, mas, enfim) por ter sido trocada pelo menino que gostava no pré vestibular;
  • 2014 - depois de ter decidido fazer o vestibular apenas como teste no terceiro ano, comecei um pré vestibular em outro bairro, gostei (e sofri) muito por um garoto que mal conhecia - ai, mateus. Perdi minha avó;
  • 2015 - comecei a estudar Ciência Política na UNIRIO. Aos 19 anos recém completados, perdi minha virgindade com um menino que conheci no tinder (pois é). Ainda sofri pelo menino com cara de criança que fazia com que eu achasse que finalmente iria namorar;
  • 2016 - passei no vestibular, finalmente!, e deveria ter começado a estudar direito na UERJ - a greve, entretanto, bifurcou esse caminho. Comecei a trabalhar como jovem aprendiz no jornal globo (eu a glamourização do emprego), conheci Raphael, o menino legal da veterinária; conheci Gabriel, o menino cool da minha cidade. Me machuquei muito esperando amor de fontes desconhecidas, abri feridas que ainda não cicatrizaram - homens, sempre;
  • 2017 - decidi que ia ficar sem homens, ia me descobrir, e no meu aniversário de 21 anos (14 dias após a promessa), conheci aquele que seria meu futuro namorado. Comecei a estudar, de fato, na UERJ. Tive meu primeiro estágio em Direito. Foi o ano mais ambíguo da minha vida - tive do melhor e do pior. O melhor amor, namorado, amigo; o pior término, tratamento, decepção. Foi, definitivamente, o ano em que as portas da vida adulta se abriram para mim. Sai da minha cidade e fui morar no Rio de Janeiro com 4 meninas desconhecidas. Iniciei uma jornada que, não parece, mas está só no começo;
  • 2018 - o pior ano da minha vida. Foi o ano, também, mais importante dela. O ano em que tive que trabalhar parar lidar com as feridas que o ano anterior tinha me deixado. Comecei a terapia (Marcella, meu amor é todo teu), perdi e tive que lutar para reencontrar amigos, fui nos únicos jogos jurídicos da minha vida (até então, pelo menos). Revi meu ex, feliz. Chorei. Chorei muito. Entendi menos ainda como podemos nos fixar tanto em alguém, numa ideia, e perder uma felicidade possível pelo apego às memórias;
  • 2019 - ano em tons de cinza. Cresci muito. Acho que depois de 8 meses na terapia, finalmente comecei a praticar seus ensinamentos. Revi meu ex - nos envolvemos novamente, como era esperado, mas dessa vez não chorei. Minhas lágrimas tinham secado um ano antes. E lembrando do porquê minhas lágrimas não mais estavam presentes que percebi que, por mais que parecesse o contrário, aquele homem não pertencia na minha vida - não aquela versão, pelo menos. Foi doloroso (sim) perceber que eu merecia mais. Que eu merecia melhor. E que o melhor não era ele. Entrei no estágio dos meus sonhos e tenho sido muito feliz por lá. A faculdade, bem, não tem sido a das melhores, mas é a linha reta dos acontecimentos que conta.

E para 2020, o que eu quero? Não sei muito. Um estágio maior, um dedicação maior, mais responsabilidade financeira e respeito ao meu corpo. É isso.

Aos 24 anos, acho que tudo que quero é paz. E vida, pra viver, com calma, tudo que aprendi nesses últimos 7 anos.

sábado, 27 de julho de 2019

não sei muito bem como me sentir em shows - sempre deslocada, mas sempre por vontade própria (se não, como eu faria o que eu quero se ninguém mais quer o mesmo?).
mas hoje, especialmente, parece que eu espero sinais de você pelos lugares que normalmente me seriam sinais. na música de amor,  nos casais se beijando, nas conversas ao pé do ouvido.
no lugar, vazio.
por que?

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Carta a G.

demorei para sentar e escrever qualquer coisa aqui que fosse destinada a você - parte porque ainda não acredito que você voltou pra minha vida, parte porque sei que essa volta pode não ser definitiva.
não acho que agora seja trabalho de explicar como tudo recomeçou. mas eu quero sintetizar o que você tem me feito sentir e o que, afinal, eu vou fazer com tudo isso.

Greg,
Quando você terminou comigo (de forma desleal, injusta e cruel, eu diria), eu fiquei num limbo existencial. Eu já vinha de uma crise de depressão que aparentemente ninguém viu - pra todo mundo, aquela instabilidade emocional, o meu afastamento crescente das pessoas, minha raiva constante, eram características normais da minhas personalidade. Não são. Mas essa crise, que não vimos começar, nem percebemos se manifestar, me deixou uma criaturazinha muito vulnerável a você. Porque na leva da crise, eu te tornei minha segurança, meu suporte de ferro. Eu tinha uma certeza bruta que você era inabalavelmente quem me sustentaria nos dias difíceis.
Até que meus dias ficaram difíceis demais pra você. E não falo isso com peso no peito, me atribuindo culpa pelo fim desse namoro quase patético. Não, eu não fui a culpada. Nem você foi. Mas isso me lembra uma característica sua que me fez começar a escrever isso aqui: como você mesmo disse, você só dá valor pra aquilo que perde. Você não sabe manter o interesse quando as coisas ficam difíceis. Enquanto tudo é divertido, feliz, excitante, ótimo!, você está ali, presente, vivo. Mas eu não sou constantemente divertida, feliz, excitante - ninguém é.
Como parte de mim sempre vai ter um lado que só quer não acordar de manhã e emendar um dia no outro, dormindo, numa anulação da própria existência. Como isso poderia dar certo? Ou você muda uma característica quase fundadora do que você é, ou eu continuo anulado parte do que eu sou pra manter um relacionamento que, francamente, se nã consegue se manter sozinho, não deveria existir.
Antes, do seu lado, era quando eu me sentia mais confortável na minha própria pele. Fisicamente, psicologicamente. Mas eu não te conhecia, não sabia do que você suportaria ou não. Hoje, do seu lado, eu não sei ser eu mesma, tanto porque fico insegura quanto a minha posição na sua vida, quanto porque eu sei, agora, o que você suporta e isso não sou eu, não inteiramente.
Numa das poucas conversas que a gente teve desde que nos vimos de novo (porque a gente nem consegue conversar mais como antes!), você me falou as três coisas que mais gosta em mim. Coisas físicas. De acordo com você, meu nariz ganhava. Depois minha boca e meu peito. E você me perguntou as três coisas que eu mais gostava em você e que não poderia conter o óbvio, seus olhos azuis.
Eu gosto, Gregory, dos seus olhos azuis. Não porque eles são azuis, eu não poderia me importar menos com a cor dos olhos de alguém. Eu amo seus olhos porque toda vez que eles me encaram parece que você está me vendo pela primeira vez. Eu lembro, sempre, da mesma sensação de quando verdadeiramente te vi pela primeira vez  (porque lapa não conta): é uma palpitação fraquinha do lado esquerdo do peito que deixa minha cabeça meio bamba e minha vista meio turva, como se tivesse bebido uns dedos de álcool. Tudo junto e de forma quase imperceptível, mas tá lá. Ser vista por você me deixa exposta, parece que você consegue ler o que eu penso e ver mais claramente meus defeitos. Então toda vez que estamos juntos eu espero que seja a ultima vez, porque você já me provou, antes, que eu não sou boa o suficiente pra você. Então, se eu sou essa coisa pequena que você consegue descartar tão fácil, o que estamos fazendo aqui ainda?
Pra resposta, eu diria também que gosto das suas mãos, não por alguma característica específica ou habilidade surpreendente. Eu gosto das suas mãos porque elas são a manifestação do seu carinho. Seja pelo toque ou pelo não toque, é através delas que sei o que você está pensando. E que gosto do seu peito, igualmente. Porque ele sempre me pareceu uma casa muito aconchegante.
Mas entende como o seu físico me atrai para além dele mesmo? Esse é o nosso problema. Eu não consigo te ver como um cara que eu conheci dois meses atrás numa festa da faculdade. Pra mim você sempre vai ser o Greg, meu ex, o cara que eu fui idiotamente apaixonada e que eu não consigo sentir menos. E isso, de ser a garota que casualmente você vê, não me faz bem porque eu não consigo aceitar ser diminuída a só isso depois de tudo que você me fez passar.
Não que tenha sido culpa sua minha depressão ou o quão despedaçada eu fiquei depois que você foi embora. Porque você não sabe, mas eu praticamente não existia. Eu vivia cada dia pensando terrivelmente de mim mesma pelo que pude ter feito pra te afastar tão bruscamente de mim. Minhas lágrimas demoraram para secar - o que aconteceu, eventualmente. Eu lembro especificamente do meu aniversário ano passado, quando eu tive uma crise choro que assustou todo mundo do meu estágio. Parecia que alguém tinha morrido. Mas pra mim era, pela primeira vez, a compreensão mais realista que a gente não estava mais junto, porque aquela data foi a que eu mais esperei em um ano para passar contigo. Depois eu descobri que você já estava com outra pessoa.
Então, novamente, Greg, eu te pergunto, o que estamos fazendo aqui agora? Porque você me destruiu muito pra eu aceitar qualquer coisa de você.

sábado, 20 de abril de 2019

não é mais 2017

eu, antes de mais nada, escolhi propositalmente uma música triste pra colocar essa escrita em ação. faz muito tempo que não venho aqui, muito mesmo. em 2013, quando esse espaço foi criado, 6 anos atrás, eu estava no 3º ano do ensino médio, tentando entrar num distúrbio alimentar, com os nervosismos normais de uma garota de 17 anos: vestibular, faculdade, garotos.
essa menina cresceu, entrou na faculdade, perdeu a virgindade, trocou de faculdade, trabalhou, se mudou, namorou, viveu. hoje eu tenho 23 anos e todas as coisas que queria na idade que esse blog nasceu.
eu ia complementar a frase acima com um "mas não sou feliz". a verdade é que eu sou. não foi uma conquista repentina, tá mais pra uma evolução baseada em terapia e boas pessoas. mas eu sou, feliz. ainda assim, é díficil se desprender de certos sentimentos que insistem em pesar mais que toda a felicidade do mundo.
gregory reapareceu na minha vida 2 semanas atrás. como se nada tivesse acontecido, num esbarrão, aqueles olhos azuis me encararam. desde então, num vai e volta de interesse, minha ansiedade tem estado mais alta do que nunca.
a real é que eu não sei o que esperar do acontecido; queria uma conversa honesta, cara a cara. queria despejar tudo que matutei sozinha nesses último ano e meio; queria ouviar, sem filtro, o que ele tem pra dizer. queria não me importar. queria entender porque me importo.
antes desse reaparecimento todo eu estava entrando numa nova fase da minha vida onde eu tinha outras pessoas para me decepcionar, não o mesmo rosto conhecido. voltando a sentir normal.
quase que a integridade de mim não quer superar o que eu sentia por você - ou você, por inteiro, pra ser exata. eu não sei exatamente o que isso significa, porque me prendo tanto à ideia. você já não é mais o mesmo, nem eu. mas, sinceramente, eu queria que esses novos "eus" se combinassem num produto em comum que seria o relacionamento que a gente nunca chegou a ter.
aquilo foi uma tentativa, que por muitas vezes foi frustrada pela minha insegurança. eu não sabia namorar, você era irresponsável. mudamos? tem espaço pra descobrimos, juntos, isso? infelizmente minha expectativa é a mesma que em março de 2017, quando eu descobri que estava apaixonada por você. mas, ao contrário, nada eu posso esperar de volta.
eu tenho que te deixar isso mas eu não consigo querer, ou aceitar, isso ainda.
aos poucos, quem sabe, você vai se desfazendo e eu consigo a voltar pro mesmo caminho que eu estava antes de você reaparecer.
eu não amo você, não da forma que antes.
mas eu poderia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

ouvindo a música nova do the killers eu penso em como tenho mais sentido mais a sua falta nessas últimas semanas;

não sei se é porque minha depressão piorou um pouco - e, portanto, passo a ficar mais nostálgica com os tempos em que realmente fui feliz (o que, obviamente, inclui você) - ou se é porque eu simplesmente sinto sua falta.

mas the killers era uma das suas bandas favoritas (junto com metallica e outras que já não me recordo) e gostar, genuinamente, de algo que você gostava, gosta, parece me fazer mais próxima de ti.

ultimamento eu peço a sabe se lá quem que comanda o destino que o nosso esteja interligado e, mais uma vez, tenhamos a chance de darmos certo juntos.

tudo que eu queria agora era te reencontrar em um canto qualquer onde você lembrasse dos motivos que te fizeram apaixonado por mim em algum momento. e que, assim, nunca mais desgrudássemos.

ainda dói muito não ter mais você, enquanto racionalmente sei que talvez daqui a dois anos eu já nem lembre a cor dos seus olhos, como foi com mateus e raphael (quem, inclusive, acabei de ter dificuldade de lembrar o nome), ou seu endereço. pode ser uma dor passageira, como já foi pra mim. mas também pode não ser.

e o pior é admitir pra mim mesma que eu prefiro que essa dor nunca passe se isso significar que o que a gente teve foi tudo aquilo que acredito ter sido - intenso, verdadeiro, único. o conceito de almas gêmeas nunca fez sentido pra mim até conhecer você.

eu sei que sua vida seguiu - não realmente, porque me mantenho afastada -, mas será que nem mesmo por uns segundos a sua mente volta em mim como a minha faz contigo nos menores momentos do dia?

quando o aleatório escolhe uma música que conheci contigo; quando meus olhos vama pelo lugar do shopping que costumávamos ficar; quando passo sem querer pelo andar que você estudava; quando como lasanha e lembro que vocẽ gostava de colocar batata palha por cima;

cada momento, cada segundo. nunca estou livre de um pensamento sem você.

não sou infeliz, mas me fiz vazia.

ainda espero por você.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Foi em fevereiro a última vez que apareci por aqui.
Muito mudou desde que criei esse blog e muito mudou desde a última vez que nele escrevi.

Hoje eu faço terapia - Marcella, minha psicóloga, é quem tomou lugar dessa escrita. Mas hoje em senti falta daqui.

Nada era tão eu como escrever sem sentido para a posteridade.

E hoje eu senti falta de mim.

Voltei, eu acho.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sim, eu sinto sua falta

Depois de você
Nada me fez, de fato
Feliz

Procurei por muito
Torci por poucos
Mas, no fim
A falta de quentura é a mesma

Hoje eu me encontro, aqui
Num lugar novo
Numa experiência nova
E, ainda assim
Procurando apenas aquilo que você poderia me dar

Felicidade, que dizem?
Sua falta é uma presença
Constante
Constantemente fincada no lugar que, antes
Sua risada costumava ficar

Não sei ao certo pra quem
Ou porquê
Eu escrevo essas coisas mal feitas, inúteis

Isso não te traz de volta
Isso não me faz feliz

Aparentemente,
Isso apenas afaga o lugar que você, presente
Deixou vazio

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

por que deveríamos dar nosso melhor para as pessoas, esperando que, em retribuição, elas sejam minimamente gentis? deveria eu ser, sempre, simpática, agradável, apaziguadora - maquiada, bem vestida, 'apropriadamente' comportada? enquanto, obviamente, recebo pequena atenção como agradecimento?
o meu melhor é a moeda de troca pelo qual nós, mulheres, mutilamos diariamente  nossos seres em busca da apreciação masculina?

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

I miss you so much
I cant believe youre not here
I miss you
Please come back
Please love me again
I miss you
I cant stop thinking about you
Everyday
Especially today
It hurts me everytime i remember you probably never loved me
I still love you tough
Please, please, come back
I dont want anything else but you

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Você é uma bosta de pessoa, pelo jeito. Gorda, feia. Por que ninguém te quer? É por isso. Nem greg te quis. Você é insuficiente. Você não serve pra absolutamente nada. Ruim no trabalho, ruim na faculdade, ruim no amor. Sem amigos, sem grana, sem nada.
Você nao é nada.
Talvez você devesse se matar.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

a week after

Como conseguem manter um relacionamento por anos, a distância ou com qualquer outro impedimento e eu mal consegui por alguns meses? São nos pequenos quadros do dia a dia que eu sinto sua falta. É no dar as mãos dos outros. Numa recordação do facebook que mostra o casal anos antes. É no ter o telefone da sogra no celular.
Nesses dias, em que tudo grita você, eu posso até não chorar mas meu coração aperta de um jeito que parece que nunca mais saberei o que é felicidade de novo.
Teria você tirado minha habilidade de sentir?

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

sleepless in rio de janeiro

Eu tinha o mais simples dos sonhos pra quem namora: dormir ao seu lado. Só isso.
Sonhei que adormecia no seu peito, com os braços ao redor da sua cintura e com as pernas entrelaçadas. Não tinha lugar específico, dia, momento ou clima. Eram só duas pessoas que se amavam envoltas no calor uma da outra.
De tudo, isso eu não consegui.
E nesse momento talvez essa seja uma das coisas que mais me dói.

voltei

Eu abandonei esse lugar depois que a gente ficou junto porque eu não precisava mais de um refúgio - eu tinha você. Pela primeira vez na minha vida eu experimentei a normalidade que era um relacionamento sério. Eu tive um namorado. E não só tive um título como ouvi as declarações mais lindas, recebi os mais intensos carinhos e cuidados. Eu amei e fui amada.
Até que não deu mais (pra você, pra nós) e tudo acabou. Ontem. 23:40h. Eu chorava copiosamente na frente do espelho quando tudo foi dito, eu não acreditava, eu não acredito. Eu amo você e eu realmente acreditava que a gebte tinha sido feito pra ficar junto. Eu imaginava um futuro com casa, férias e nomes de filhos. Sabia que eu nunca tinha feito isso? Que eu nunca tinha tido vontade disso, que pela primeira vez eu queria entrar na estatística de mulheres que sonham em casar e ter filhos, cujo futuro profissional não era o foco.
Ter sido amada foi tão libertador, você me fez tão feliz que eu não consigo aceitar que não existe mais isso.
Sim, nós vinhamos passando por dificuldades mas eu decidi que não desistiria de nós dois. Eu tentaria, até não querer mais. E eu queria tentar, todo dia, quando acordava, meu primeiro pensamento era a visualização do seu rosto junto com o sentimento de que valia a pena - porque valia, vale.
Aceitar que você não quis continuar me corta de um jeito que eu nunca imaginei que aconteceria comigo. Tudo que me vem a cabeça é que, entre todos "eu te amo", nunca senti tanta falta de amor quando você achou melhor acabar com nós dois porque fazia mal a sua rotina. E a minha? A única coisa que me fez resistir até agora sem abrir mão da vida foi a confiança nas suas palavras. Afinal, você me amou? Foi real? Eu vou ser lembrada pela "ex que não te deixava em paz"? Esse seu almoço com essa amiga tem algo a ver com isso? Você me traiu - ou quis?
Olhar pro meu futuro e não te ver nele me congela o corpo de um jeito que... Eu não quero nunca mais amar de novo.

domingo, 26 de março de 2017

mickey

eu não quero pensar que eu não nasci pra ter amor mas é inevitável
a intensidade, o comprometimento, tudo, nunca se compara ao que os outros dizem e/ou demonstram ter por mim
por que eu continuo sozinha? por que nada da certo? por que eu continuo triste como se nada nunca fosse dar certo?
eu tenho 21 anos. meu futuro mal começou. mas, ainda assim...
eu não quero alguém pra ficar e depois terminar e depois outro, e outro, e outro e por aí vai
eu quero alguém pra me entender
não me julgar
não apontar o dedo pro que acha certo ou errado e tentar me ajudar naquilo que pode
alguém pra ser meu amigo, meu apoio, minha segurança
eu preciso de alguém maduro
comprometido
alguém que me entenda, tendo passado por isso não
alguém leal
e não acho que ninguém seja assim
queria que fosse greg
pensei que era raphael - para outras pessoas, talvez...
por que não deu certo?, me pego pensando outra vez
se pelo menos tivesse...
talvez eu tenha nascido pra não dar certo
afinal, tudo termina em coisas com potencial que não foram bem sucedidas na minha vida
queria saber se ele (e os outros) tem a consciência pesada pelo que fizeram comigo
provavelmente não